<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><rss xmlns:atom='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' version='2.0'><channel><atom:id>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433</atom:id><lastBuildDate>Mon, 28 Apr 2008 13:35:29 +0000</lastBuildDate><title>A-Set's Diatribe</title><description/><link>http://www.a-set.com/blog/</link><managingEditor>A-Set</managingEditor><generator>Blogger</generator><openSearch:totalResults>37</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>25</openSearch:itemsPerPage><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-8154146280702436371</guid><pubDate>Wed, 16 Apr 2008 07:59:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-16T05:01:59.812-03:00</atom:updated><title>Trouver la langue, como em Rimbaud...</title><description>...e em Manoel de Barros:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por viver muitos anos&lt;br /&gt;dentro do mato&lt;br /&gt;Moda ave&lt;br /&gt;O menino pegou&lt;br /&gt;um olhar de pássaro -&lt;br /&gt;Contraiu visão fontana.&lt;br /&gt;Por forma que ele enxergava&lt;br /&gt;as coisas&lt;br /&gt;Por igual&lt;br /&gt;como os pássaros enxergam.&lt;br /&gt;As coisas todas inominadas.&lt;br /&gt;Água não era ainda a palavra água.&lt;br /&gt;Pedra não era ainda a palavra pedra. E tal.&lt;br /&gt;As palavras eram livres de gramáticas e&lt;br /&gt;Podiam ficar em qualquer posição.&lt;br /&gt;Por forma que o menino podia inaugurar.&lt;br /&gt;Podia dar as pedras costumes de flor.&lt;br /&gt;Podia dar ao canto formato de sol.&lt;br /&gt;E, se quisesse caber em um abelha, era só abrir a palavra abelha&lt;br /&gt;e entrar dentro dela.&lt;br /&gt;Como se fosse infância da língua."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trecho do poema "Canção do ver" de Manoel de Barros, em "Poemas Rupestres".</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/04/trouver-la-langue-como-em-rimbaud.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-6197351411009259613</guid><pubDate>Fri, 11 Apr 2008 01:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-10T22:17:40.419-03:00</atom:updated><title>Inspiração e criação</title><description>Às vezes quero dizer algo e me pego mudo, compondo melodias vazias. Quando a criatividade se esvai, percebo o quão pequeno sou. Acontece, porém, que às vezes sinto-me a criar, mas nada produzo. Tento entender se o vazio é apenas um momentâneo silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma sala com um piano possui música em potência, espera apenas o movimento das teclas, das cordas. Há, no entanto, salas sem pianos, sem livros e sem quadros, vazias. Mas não esta em que me encontro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estão o piano, a pena, as tintas. Parece-me que esqueci como usar tais ferramentas, que tudo é apenas potência e jamais virá a ser ato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li em Fernando Pessoa:&lt;br /&gt;&lt;i&gt;"Quando te tinha diante&lt;br /&gt;Do meu olhar submerso&lt;br /&gt;Não eras minha amante...&lt;br /&gt;Eras o Universo...&lt;br /&gt;Agora que te não tenho,&lt;br /&gt;És só do teu tamanho."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso, então, que o criar em potência seja a admiração que nos toma: tudo parece vazio quando na verdade o Universo é imenso demais para ser visto de perto. Quando se vai, lá adiante, e pode ser escondido sob o polegar, fechando-se um olho, torna-se do meu tamanho e posso então reproduzí-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, talvez seja esse o segredo da criação: criamos coisas de nosso tamanho ou ficamos em silêncio admirando o universo, sem tentar pintá-lo, escrevê-lo, quando se dá a nós. Os gênios são os que criam obras maiores que si mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebo então que a sabedoria está em apreciar a inspiração antes de pensar na música. Quando criamos, descrevemos o que se foi. Já passado, relatamos a paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois então fique! Continuo mudo, não me importa o relato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou uma sala vazia.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/04/inspirao-e-criao.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-557969195819253088</guid><pubDate>Wed, 02 Apr 2008 04:38:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-02T02:05:48.794-03:00</atom:updated><title>Coisas que são ditas</title><description>"Consente que este olhar que em ti se está cravando,&lt;br /&gt;consente que estas mãos às tuas abraçando,&lt;br /&gt;te expressem mudamente o que de mim tens feito,&lt;br /&gt;o que nem cabe em voz, nem cabe já no peito;&lt;br /&gt;permite-me engolfar-me em bem-aventurança,&lt;br /&gt;num afecto sem fim, sem quebra nem mudança"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fausto para Gretchen, Goethe</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/04/coisas-que-so-ditas.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-7939571815828630888</guid><pubDate>Wed, 02 Apr 2008 04:24:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-15T18:37:43.961-03:00</atom:updated><title>Coisas que não são ditas</title><description>Um dia, há muitos anos, meu pai comprou um videocassete e descobri que havia mais nos filmes do que me mostrava a TV. Acabei conhecido por pegar filmes que ninguém queria assistir. Chegava da locadora às sextas com um pacote, todos vinham ver o que trazia e mal escondiam a decepção: “não tem nada que preste?”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confesso que muitos daqueles filmes eram mesmo insuportavelmente chatos, mas era preciso vê-los. Não é possível odiar algo que não se conhece, mas é possível odiar algo que não se entende. Retomo isso adiante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante essas idas e vindas, assisti ao trabalho de um diretor, muito comentado na época, chamado Kieslowski. Tratava-se de uma série para a TV baseada nos 10 mandamentos, ou “Decálogo”. Alguns episódios eram chatos, não me importei muito. Um deles, no entanto, era muito bom e baseado em um longa anterior, chamado “Não amarás”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ambos tratam de um rapaz, funcionário dos correios da Polônia, que se apaixona por uma vizinha e a observa à distância. O mais perto que se consegue chegar é quando envia falsos avisos de correspondências, trocando enfim algumas palavras com a amada. Nada de muito interessante até ai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez mais apaixonado, vai se aproximando e se envolvendo com a mulher que em certo momento... Não é isso que importa agora! As versões têm finais diferentes, um esperançoso (“Não amarás”) e outro amargo (a versão mais curta, do Decálogo). Gosto de ambos, por motivos diferentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomo o foco do texto, então. Disse logo acima que é possível odiar o que não se entende, mas não odiar o que não se conhece, mas ao mesmo tempo concordo com a premissa do filme de que pode-se amar o que não se conhece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ódio vem sempre acompanhado de tentativas racionais, de explicações. É preciso justificá-lo de alguma forma para não parecer idiota. Os grandes monumentos do ódio precisam de explicação: o massacre deste ou daquele povo, as guerras e conflitos de outros...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se faz, então, quando se tenta explicar Romeu e Julieta, Fausto e Gretchen, Dante e Beatriz? Sabemos que há razão contida em todos, mas há também tanto de coração que a razão nada explica em totalidade. Não existem palavras e as que existem não formam frases. Seria preciso uma nova língua?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem é que não consegue entender o motivo do poeta que desce ao inferno para resgatar Beatriz? Quem é que lê Goethe e não consegue entender a redenção de Fausto em Gretchen? Quantos podem, no entanto, colocar isso em palavras? A própria necessidade de buscar o sentido, a beleza e a complexidade dessas obras as faz imortais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os grandes poetas não perderam tempo tentando explicar, mas em compreender, mostrar as ações dos personagens. Há dificuldade em transpor as palavras, em dar explicações, mas é tudo tão natural que as próprias representações nos falam, são exemplos, são mitologias. São arquétipos e como tal falam ao interior antes de falar à razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual a dificuldade, então, em entender que é, sim, possível amar o que não se conhece? Não há dificuldade alguma! Há, sim, dificuldade em transpor as palavras, em acreditar no não-dito, acreditar nos fatos e ignorar as premissas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O não-dito deverá ser sempre demonstrado. As representações devem ser vividas, não faladas. As sementes devem ser colhidas e plantadas.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/04/coisas-que-no-so-ditas.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-806817627812637288</guid><pubDate>Sun, 30 Mar 2008 23:41:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-15T18:26:17.172-03:00</atom:updated><title>Sinais</title><description>Pedaços de uma história, passos: um caminho.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Apenas duas almas percorrem o sinuoso trajeto, complexo, cujo todo não se faz visível. O objetivo final ambos sabem, ambos querem, perseguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É um caminho único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcas vão ficando, marcos também: as músicas da trilha sonora, os vídeos da paisagem, aqui e ali, em silêncio, vão sendo deixados. São pedaços, guias, indicando que há sincronia. Sinais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras trocadas formam um diário. Há um diálogo. Duas pessoas caminham lado a lado, conversam sutilmente e tudo é dito. A razão, perdida há muito, compreende cada símbolo, uma nova linguagem se forma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali está um sinal, logo além estará outro... Sentidos-sentimentos expostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando a trilha chegar a um ponto, lá adiante, novos sinais serão encontrados, criados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novas palavras, novos sons. Sensações, talvez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sigo, passo a passo.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/03/sinais.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-6628206635390255084</guid><pubDate>Sat, 22 Mar 2008 21:14:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-04-28T10:35:29.867-03:00</atom:updated><title>Magic doors</title><description>Logo ali há uma porta, mágica. Atrás dela há o que não pode ser escondido, permanece sempre aberta, não há trancas. Há, no entanto, um buraco feito para espionar.&lt;br /&gt;A porta está aberta, apenas encostada, mas ninguém a empurra, se limitam a espiar pelas frestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conto segredos em público, abro a porta, mas ninguém vê.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/03/magic-doors.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-8212463036020705858</guid><pubDate>Sat, 22 Mar 2008 01:16:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-21T22:17:12.246-03:00</atom:updated><title>A máscara</title><description>Eu sei que há muito pranto na existência,&lt;br /&gt;Dores que ferem corações de pedra,&lt;br /&gt;E onde a vida borbulha e o sangue medra,&lt;br /&gt;Aí existe a mágua em sua essência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No delírio, porém, da febre ardente&lt;br /&gt;Da ventura fugaz e transitória&lt;br /&gt;O peito rompe a capa tormentória&lt;br /&gt;Para sorrindo palpitar contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim a turba inconsciente passa,&lt;br /&gt;Muitos que esgotam do prazer a taça&lt;br /&gt;Sentem no peito a dor indefinida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entre a mágoa que a másc’ra eterna apouca&lt;br /&gt;A Humanidade ri-se e ri-se louca&lt;br /&gt;No carnaval intérmino da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Augusto dos Anjos</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/03/mscara.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5297540955336784362</guid><pubDate>Sat, 22 Mar 2008 00:52:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-21T22:00:25.190-03:00</atom:updated><title>Palavras, sentidos, momentos...</title><description>Palavras, quietas, misteriosas, explosivas, vazias de sentido se tomadas individualmente, solitárias. Lá estão todas, apenas palavras, carecendo sentido,  lógica... carecem de corações que as organizem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio pensamentos se cruzam, falam um ao outro de seus momentos, confissões talvez, dividem segundos, dividem letras, escrevem... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho cá comigo várias delas, vivas em minha memória, organizadas, cheias de um toque aveludado, inflamado, quase palpável. Compreensão? Em um segundo se conectam, de repente se organizam, frases se formam. De repente.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/03/palavras-quietas-misteriosas-explosivas.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-8581142569581826422</guid><pubDate>Thu, 20 Mar 2008 05:22:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-20T02:44:08.524-03:00</atom:updated><title>O melhor dos mundos</title><description>Estou aqui, pensando aos ventos, leme solto e sem rumo, como tanta coisa tem sido. Já planejei tanto e nada deu certo. Ouvi dizer que quando fazemos planos, Deus gargalha. Acho que a frase era essa, mas se não for faz sentido do mesmo jeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para Leibniz, este é o melhor dos mundos, o melhor mundo escolhido por Deus dentre as possibilidades, tendo visto toda a sequência do universo, e ainda assim, no entanto, somos livres. Como podemos ser livres se Deus sabe o que faremos, então? Minha leitura me leva a crer que somos livres por ignorarmos o próximo instante. Deus sabe o que faremos, nós não. Temos livre arbítrio, faremos nossa melhor escolha, por pior que seja. Volto às gargalhadas divinas, então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Planejei tanta coisa, escrevi tantos sonhos, vi a mim mesmo fazendo coisas que jamais fiz, disse a outros que faria outras tantas que jamais farei. Algumas se tornaram reais, outras, não. Faço muitas escolhas e muitas não se realizam, outras tantas dão errado e, por fim, algumas se tornam reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso montar um padrão, ver a matemática dos resultados. Creio que exista, mas não posso vê-la. Acho que conhecer esse padrão seria ver a máquina do mundo, como em os Lusíadas, mas não tenho esse poder. Não sei se dentre X tentativas, Y irão funcionar. Não sei, também, qual o esforço mínimo e máximo deve ser dedicado. Já ouvi dizer - e disse algumas vezes também - que quem quer algo, vai atrás, se esforça. É verdade, acho, mas nem sempre funciona. Já me esforcei por coisas que deram em nada, já consegui outras sem esforço algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus gargalha? Não sei, não faz diferença. O fato é que deveria estar dormindo a essa hora. Me deitei tarde, mas com o objetivo de dormir. Daqui algumas horas estarei trabalhando novamente. A insônia é que me mantém aqui, escrevendo. Não era parte dos meus planos. Talvez seja parte do melhor dos mundos: me faz pensar. Só não sei ainda em que.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/03/o-melhor-dos-mundos.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5944034530817213396</guid><pubDate>Thu, 20 Mar 2008 05:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-03-20T02:13:51.044-03:00</atom:updated><title>Medo da Eternidade</title><description>Um conto da genial Clarice Lispector, "Medo da Eternidade":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não acaba nunca, e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E agora que é que eu faço? - Perguntei para não errar no ritual que certamente deveira haver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Perder a eternidade? Nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acabou-se o docinho. E agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora mastigue para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que não suportei mais, e, atrevessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha só o que me aconteceu! - Disse eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LISPECTOR, Clarice. Medo da eternidade. In: A descoberta do mundo. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1984. p. 446-8.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/03/medo-da-eternidade.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5801147405395273720</guid><pubDate>Sat, 05 Jan 2008 05:12:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-05T03:14:20.657-02:00</atom:updated><title>Enfim</title><description>Terminei a faculdade. É, depois de anos. "Que bom, vai sobrar mais tempo!". Não, não vai. Começarei outra próximo mês. O tempo passa. Eu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Post mais besta, não?</description><link>http://www.a-set.com/blog/2008/01/enfim.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-750990106947618659</guid><pubDate>Sun, 30 Dec 2007 01:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2008-01-05T03:10:31.104-02:00</atom:updated><title>Dispersão</title><description>O título desse post seria "Auto-explicativo", mas estaria errado. O contrário, talvez. Sinto que o caminho cada vez mais se aproxima do que sou, mas o restante está parado. Não diria perdido, pois para se perder é preciso querer chegar a algum lugar. Muitas vezes as pessoas sequer querem, por isso não se perdem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao escrever, penso, não estou perdido, não. As horas fogem e eu permaneço, sim, mas não perdido, não no mesmo lugar. As horas fogem e percebo as mudanças. Permaneço, então, buscando meu espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este post perdeu o sentido, o timing se foi. O mundo é a personagem de "Dispersão". O mundo permanece, não eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei várias decisões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não entendeu nada do que eu disse, ignore. Ou leia Mário de Sá Carneiro.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/12/disperso.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5606123567599213620</guid><pubDate>Tue, 04 Dec 2007 15:39:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-12-04T14:35:00.827-02:00</atom:updated><title>"Ah, pobres vítimas da civilização!"</title><description>Vi algo, hoje, que me deixou mais do que indignado. Trata-se de um "protesto" ocorrido na Bolívia, feito por partidários de Evo Morales, mostrando o que farão com as oposições. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os escolhidos para dar o exemplo, vejam, são... cães! Sim, cães, que nada sabem de política. Felizmente para eles, pois não precisam debater com gente daquele nível. Note que usei o termo "debater", existente somente em democracias. O que parece não ser um sistema muito em moda na América Latina atualmente. Há diversos candidatos a Castro na região. Infelizmente, no entanto, os cães são as vítimas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há quem aplauda, não se enganem! Há quem defenda Morales como há quem defenda Chavez! Há quem defenda os "pobres índios", "vítimas do processo civilizatório", da "nefasta colonização européia". É claro que há! E não pensem que são apenas pobres, seduzidos pelas promessas de inclusão. São muitos, inclusive nos meios acadêmicos, tornando isso tudo mais estúpido, surreal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, também, os defensores dos direitos dos animais, aqueles, confusos, que sabem nada de política, filosofia e história, que acreditam que para que os animais sejam respeitados é preciso que o capitalismo acabe. Pobre capitalismo. Pobre lógica, assassinada em suas bases.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitalismo é baseado em leis de mercado. Se há procura, há oferta. Básico, não? Portanto em uma sociedade capitalista os animais podem, sim, ter direitos. Como? Óbvio: basta não existir procura! Mas certas pessoas preferem simplesmente fechar os olhos e continuar consumindo. Continua a procura. Continuam os massacres. Culpa-se o sistema: é mais simples manter a situação no nível da utopia do que encará-la na prática. É mais fácil continuar comendo e culpando os outros. É mais fácil continuar de olhos fechados. É mais fácil não saber do que enfrentar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso que estes fazem parte, pela cegueira proposital, de um certo grupo de carnívoros, que prefere não ver imagens das barbaridades cometidas em abatedouros pois "não querem parar de comer". Para eles, se não vêem, não existe. Notem que não ver não é o mesmo que não saber! Sabem, mas fecham os olhos. Mas comem de olhos abertos. Adoram ver a picanha sangrando no prato. Odeiam ver o animal sangrando no abateuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hipócritas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segue o link do vídeo:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=tPWV5KQv9VE&amp;feature=related" target="_blank"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=tPWV5KQv9VE&amp;feature=related&lt;/a&gt;</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/12/ah-probres-vtimas-da-civilizao.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-9106549589620284031</guid><pubDate>Tue, 20 Nov 2007 15:10:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-20T13:13:02.778-02:00</atom:updated><title>Rompendo o silêncio</title><description>Postei abaixo o link para download do livro do Projeto Orvil e citei o site do Coronel Brilhante Ustra. Por coincidência acabei de descobrir que seu primeiro livro, "Rompendo o silêncio", também pode ser baixado gratuitamente, em formato pdf, no site da Livraria Brasil.net. Basta &lt;a href="http://www.livrariabrasil.net/product_info.php?products_id=33" target="_blank"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/11/rompendo-o-silncio.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5575726872192158593</guid><pubDate>Tue, 20 Nov 2007 13:03:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-20T11:17:33.636-02:00</atom:updated><title>Projeto Orvil</title><description>Nos anos 80, após a saída dos militares do governo do país, começaram a surgir as versões da história, contadas pela esquerda, onde todos eram vítimas e omitindo fatos como as guerrilhas, os assassinatos (como o do Tenente Mendes Junior, para citar apenas um) e a vontade de assumir o controle, instaurando uma ditadura comunista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1985 o Exército deu início ao Projeto Orvil ("Livro" ao contrário), um livro que contaria sua versão dos fatos, dando nomes aos indivíduos envolvidos em ações como guerrilhas, sequestros, assassinatos e assaltos a bancos, relatando os atos "esquecidos" por quem os praticou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez escrito, em 1988, o então General Leônidas decidiu, para não criar uma situação de conflito, arquivar o material e não divulgá-lo, deixando apenas um dos lados - o vencido - contar a história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, passados 20 anos de sua conclusão, os "vencidos" no poder mostrando as garras, com seus métodos refinados, e arrancando fortunas dos cofres públicos em forma de indenizações, o livro vem, finalmente, a público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem quiser baixar, o PDF está disponível no site do Coronel Brilhante Ustra, autor de "A verdade sufocada" e "Rompendo o silêncio". O download é gratuito e recomendado. Basta &lt;a href="http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&amp;task=view&amp;id=737&amp;Itemid=78" target="_blank"&gt;clicar aqui&lt;/a&gt;.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/11/projeto-orvil.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5494489624349940520</guid><pubDate>Thu, 08 Nov 2007 20:20:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-08T18:21:55.005-02:00</atom:updated><title>Cap. Nascimento e a classe média</title><description>Do blog do Reinaldo Azevedo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Disse que estão pouco se lixando pra isso, certo? Explicitei a questão no meu artigo na VEJA. Então qual é o busílis? A cena que dói na consciência dessa gente e que a deixa enfurecida é uma só: aquela em que o Capitão Nascimento enfia a cara do “estudante” de classe média no abdômen estuporado de um traficante e pergunta: “Quem matou esse cara?” Ele próprio responde: “Foi você, seu maconheiro! A gente vem aqui pra desfazer a merda que vocês fazem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A canalha não pode suportar essa acusação. Porque ela pretende, cinicamente, gozar de todos os benefícios do estado de direito e de todas as licenças do estado da bandidagem, transitando nos dois pólos sem ser importunada — e, é claro, cobrando sempre da polícia mais segurança e mais eficiência. Em suma: quer garantias constitucionais para continuar a cheirar, a fumar e a fazer poesia com a miséria alheia. Mas também quer segurança, lei e ordem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para ler a íntegra, &lt;a href="http://www.blogger.com/email-post.g?blogID=30210460&amp;postID=7465315323639981638" target="_blank"&gt;Clique aqui!&lt;/a&gt;</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/11/cap-nascimento-e-classe-mdia.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-4814216601869113471</guid><pubDate>Tue, 06 Nov 2007 15:25:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-06T22:32:08.052-02:00</atom:updated><title>Mr. Reagan</title><description>A few quotes from the man:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"How do you tell a communist? Well, it's someone who reads Marx and Lenin. And how do you tell an anti-Communist? It's someone who understands Marx and Lenin."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Some people wonder all their lives if they've made a difference. The Marines don't have that problem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"The problem is not that people are taxed too little, the problem is that government spends too much." &lt;i&gt;(I wish the stupid brazilian politicians knew this!)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"To sit back hoping that someday, some way, someone will make things right is to go on feeding the crocodile, hoping he will eat you last - but eat you he will."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"We must reject the idea that every time a law's broken, society is guilty rather than the lawbreaker. It is time to restore the American precept that each individual is accountable for his actions."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"When you can't make them see the light, make them feel the heat."</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/11/mr-reagan.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-4036140397500535459</guid><pubDate>Thu, 01 Nov 2007 15:58:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-11-01T14:11:07.271-02:00</atom:updated><title>A astúcia de João Cláudio</title><description>João Cláudio é um cara moderno. Fuma "unzinho" e defende a liberação das drogas em geral. Crê estar na Holanda. Notório defensor de marginais, admira pessoas da "periferia", independentemente de este ser apenas um conceito chique, uma espécie de rótulo para tirar proveito de uma situação, a saber, a isenção ideológica proporcionada. João Cláudio admira um “rapper” que vive de apologia ao crime. Também admira um escritor, tão pobre de idéias quanto de propostas. João Cláudio representa uma larga parcela da população, mas não se iludam: é um indivíduo, existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não há muito, João Cláudio chegava em casa. Periferia, de certo modo, mas nem tanto: São Paulo é grande, existem lugares piores. Ao abrir a garagem, foi abordado por dois assaltantes, drogados, crack, provavelmente. Colocaram uma arma em sua cabeça, levaram carro, carteira, a aliança de casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Indignado, João Cláudio procurou a polícia, registrou B.O. A quem mais iria pedir ajuda? Aos “rappers”? Ao escritor? Ao fornecedor? João Cláudio recorreu a quem era conveniente. A polícia recuperou o carro, encontrado não muito longe sua residência, muito próximo a uma favela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O susto se foi, mas deixou João Cláudio pensativo: “preciso me defender, não há polícia aqui”. João havia esquecido que seu carro fora recuperado. A conveniência mudara: João Cláudio precisava se proteger, proteger sua família. João fora ferido em sua virilidade, precisava fazer algo. Comprou uma pistola 380, ilegalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esposa e filhos dividem o mesmo teto de João. Três filhos. João não sabia onde guardar a pistola, não havia se preocupado com isso. O que João Cláudio não pensara era de ordem prática, logística, e agora precisaria resolver, não podia arriscar a vida das crianças. Decidiu carregar a arma consigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mochila, junto a seu corpo, viajava o brinquedo, do trabalho para casa, de casa para o trabalho. Restava, no entanto, o medo, de outro tipo. Não dos assaltantes, mas da polícia. Como justificar a posse de tal objeto em uma eventual abordagem? Não podia. João Cláudio precisava se livrar da pistola. Já sabia a quem recorrer...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clarão é um traficante, conhecido de longa data de João Cláudio. João o achava um sujeito “classe A”, um comerciante, como qualquer outro. Fecharam negócio: um pedaço de “fumo” a troco da pistola. Clarão não precisava da arma, aceitou-a pela amizade, iria revendê-la. João Cláudio, feliz pelo negócio, afirmou: "não dava pra deixar em casa, me preocupo com meus filhos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Cláudio se preocupa com os seus filhos, não com o dos outros. João Cláudio não sabe que a arma apontada antes para seus filhos está agora apontada para os filhos de outrem. João Cláudio não se interessa pelos demais, essa não é sua função. Apontar o dedo, acusar e julgar, sim. Avaliar a si? De forma alguma. Tal como o presidente eleito por ele, é livre de pecado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Cláudio não se importa. Fuma seu prêmio e esquece.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/11/dirio-de-joo-cludio.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-6375401363525702610</guid><pubDate>Mon, 29 Oct 2007 00:57:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-28T23:41:52.014-02:00</atom:updated><title>Mocinhos e bandidos</title><description>Assisti Scarface novamente esta tarde. Havia assistido apenas uma vez, há mais de 20 anos, com certeza. Era garoto e na época o filme era lançamento. As personagens mudam e a porcaria continua a mesma. Me recordo que a molecada da rua, eu inclusive, achava Tony Montana o máximo, um herói. Todos queriam ter dinheiro, poder e armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ídolos passam (na maioria dos casos) e dão lugar a pessoas que admiramos, algumas próximas, a quem admiramos pelo caráter que aprendemos a reconhecer e outras tantas que sequer iremos conhecer pessoalmente, mas que admiramos por motivos diversos, seja pela capacidade de fazer algo, de criar, de se expor, enfim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho diversos desses casos para citar, tanto no âmbito pessoal quanto no outro. Passados tantos anos, o que penso de Tony Montana (e de tantos outros como ele que vieram posteriormente) não é nada agradável. Dito isso, copio abaixo um pedaço de um pronunciamento de uma pessoa que não conheci mas gostaria de ter conhecido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Peço desculpas aos Srs. Deputados, por às vezes me inflamar, mas é que sinto na carne. Sou o maior condenado deste país. Nunca na história do Brasil teve um condenado como eu. O meu grande crime não foi o do Fernandinho Beira-Mar, nem o do Geléia e nem o do Marcola, meu grande crime foi defender uma situação, assumir, expor-me, não me esconder. Se V. Exas. quiserem, meu telefone está na lista. Aliás, nunca tirei meu telefone da lista. Pois se me omitir, se me esconder e não assinar aquilo que fiz, não sirvo para ser policial." - Cel. Ubiratan&lt;br /&gt;- &lt;a href="http://www.mrc.org.br/man_020403.html" target="_blank"&gt;Integra aqui&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para complementar o pensamento, outro dia um oficial da PMERJ dizia em entrevista: "o Tropa de Elite teve um efeito positivo: antes as crianças cresciam querendo ser traficantes, hoje querem ser do BOPE". Faz sentido, mas não é uma idéia sólida. Basta aparecer um filme com mais violência, personagem forte, frases de efeito e pronto, novo ídolo criado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto ficou confuso, porco mesmo, eu sei, mas é domingo à noite, estou indo dormir, pensando que amanhã vou acordar, trabalhar como milhões de outros, e corrigir ou torná-lo mais claro é a menor das minhas preocupações.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/mocinhos-e-bandidos.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-7373499476304673150</guid><pubDate>Wed, 24 Oct 2007 12:06:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-24T10:25:30.587-02:00</atom:updated><title>Tropa de Elite 2</title><description>Quando assisti "Tropa de Elite" pela primeira vez, escrevi um post onde perguntava se as pessoas vestiriam as carapuças, mas sem acreditar nisso, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, ao chegar à FFLCH (Fac. de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, para quem não sabe), encontro o seguinte cartaz: "Eles batem, nós debatemos". Era um convite para os alunos assistirem ao filme no espaço dos estudantes e, na seqüência, debaterem o assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu até iria, não fosse pela certeza da dor no estômago e das úlceras, mas só para checar se algum dos tópicos abaixo fará parte do debate:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- formas delicadas de tratar com traficantes, criminosos e torturadores (pensem: eles "debatem", não batem);&lt;br /&gt;- "somos nós que financiamos?" - pergunta que deveria feita pelas centenas que fumam em frente ao prédio, sem que nenhuma providência seja tomada;&lt;br /&gt;- estado de direito: via de mão dupla?&lt;br /&gt;- os dois lados do contrato social: quando o criminoso exige direitos de vítima (ou será que quando roubam os carros, celulares, ipods e afins dessa garotada eles recorrem à "consciência social" dos criminosos?);&lt;br /&gt;- a apresentação pública de uma cópia pirata é crime? (vale lembrar que o filme ainda está em cartaz e que o encontro poderia ter sido marcado em algum cinema);&lt;br /&gt;- teriamos peito para invadir a reitoria de tívessemos de lidar com o BOPE, CORE, COT, GATE, Choque e/ou Rota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo pensar em outras dezenas de tópicos para esse debate, porém o dever me chama e, ao contrário de muitos "revolucionários com o dinheiro de papai", preciso trabalhar.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/tropa-de-elite-ii.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-4667800187282325536</guid><pubDate>Mon, 22 Oct 2007 18:18:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-22T16:19:03.669-02:00</atom:updated><title>Hell</title><description>"No one has ever written, painted, sculpted, modeled, built, or invented except literally to get out of hell."&lt;br /&gt;Antonin Artaud</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/hell.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-7289422289757162982</guid><pubDate>Mon, 22 Oct 2007 01:53:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-22T00:20:18.138-02:00</atom:updated><title>Domingo</title><description>Chegar em casa, abrir as portas, encontrar apenas caos, poeira e silêncio, sendo este rompido apenas pelo miado de quem espera por seu alimento. Fartos, resta o ruído das lambidas de quem se limpa após a refeição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cena diária, rotineira, agradável, sim (em parte, afinal, abomina-se a poeira da reforma), mas tão diária e tão rotineira que passa a ser maléfica. Qualquer rotina extrema é maléfica. Disciplina extrema é maléfica. Inclusive a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirar a fumaça de SP, falar algumas bobagens, perceber que independente da ocasião alguns assuntos são tão sérios que causam dor no estômago, rir um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ir a um lugar desconhecido à 01h00. Sair quando se estaria voltando. Nervoso, tímido e ansioso. Falar mais, rir outro tanto, apreciar a companhia. Voltar para casa sem reclamar uma vez sequer e esperar pela próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Domingo à noite.&lt;br /&gt;Cheiro da chuva. &lt;br /&gt;Um bom final de semana.&lt;br /&gt;Obrigado!</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/chegar-em-casa-abrir-as-portas.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-5098552285289721936</guid><pubDate>Thu, 18 Oct 2007 13:50:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-18T17:15:34.344-02:00</atom:updated><title>Crianças, imaginação e heróis...</title><description>Estava lendo o blog do amigo Pedro Cirne, viking português e clone de Zakk Wilde, e encontrei um post muito bom sobre a dupla Calvin e Hobbes. Além do texto muito pessoal - poderia ser diferente? -, há link para uma tira feita por um fã, imaginando como seria o fim da dupla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me identifico com Calvin em muitas coisas, mas não vou entrar no mérito, não é por isso que estou escrevendo. Como Agostinho, não acredito na bondade das crianças (quem quiser saber mais, leia as "Confissões"). Acredito que há, sim, um tanto de ingenuidade, mas bondade? Nunca. Crianças são cruéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calvin, por outro lado, não parece ter muito tempo para exercer sua crueldade, pois está demasiadamente ocupado em seu próprio mundo. A tira de que falo é triste, por outro lado, pois mostra como se mata a imaginação de uma criança, como se sufoca esse mundo, essa "alternativa à crueldade", por assim dizer. Antigamente se fazia isso pela força, mas depois veio a moda da não-violência, do "não se bate em crianças" e os cintos e varas de marmelo foram substituídos por Ritalina. Quem quiser ver a tira, &lt;a href="http://calha.zip.net/arch2007-10-01_2007-10-31.html#2007_10-13_20_15_48-125983951-0" target="_blank"&gt;clique aqui!&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitem para ver o restante do blog &lt;a href="http://calha.zip.net/" target="_blank"&gt;aqui&lt;/a&gt;. Há uma boa leitura sobre o Capitão América, com um panorama da personagem e de como a atual situação política influencia os quadrinhos. Acho que a crítica ao Ato Patriótico é delicada e é algo que a Marvel precisa fazer com cuidado, pois há muito de contexto para se pensar. Se há argumentos contra do Capitão, como serão os argumentos a favor? Se querem saber o que eu acho, acho que reclamam demais do Bush e da política pós 11/09, mas alguém sabe o que é direito civil em países comunistas e/ou não-laicos? Reclamar do Ato Patriótico é uma coisa, mas é preciso observar as coisas com mais distância e mais friamente.</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/crianas-imaginao-e-heris.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-7847931676031512238</guid><pubDate>Sat, 13 Oct 2007 01:32:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-12T22:40:56.234-03:00</atom:updated><title>Shhhhhh....</title><description>Sexta à noite. O estômago dói e, sem metáforas, não é o único.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vladimir: &lt;br /&gt;(hurt, coldly). May one inquire where His Highness spent the night?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estragon: &lt;br /&gt;In a ditch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vladimir: &lt;br /&gt;(admiringly). A ditch! Where?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estragon: &lt;br /&gt;(without gesture). Over there.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vladimir: &lt;br /&gt;And they didn't beat you?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estragon: &lt;br /&gt;Beat me? Certainly they beat me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vladimir: &lt;br /&gt;The same lot as usual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estragon: &lt;br /&gt;The same? I don't know."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beckett, Waiting for Godot</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/shhhhhh.html</link><author>A-Set</author></item><item><guid isPermaLink='false'>tag:blogger.com,1999:blog-5337464942793402433.post-2501473786704529225</guid><pubDate>Thu, 11 Oct 2007 13:00:00 +0000</pubDate><atom:updated>2007-10-11T10:02:08.532-03:00</atom:updated><title>Fragmentos</title><description>Luxy:&lt;br /&gt;"The further we go&lt;br /&gt;And older we grow&lt;br /&gt;The more we know&lt;br /&gt;The less we show."&lt;br /&gt;tem a ver com nossos últimos papos e aflições :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hilton:&lt;br /&gt;Demonstramos menos... é verdade... mas em compensação as marcas e cicatrizes aparecem cada vez mais, não? Será que tem cura? Espero...&lt;br /&gt;Beijos, boa noite...</description><link>http://www.a-set.com/blog/2007/10/fragmentos.html</link><author>A-Set</author></item></channel></rss>