
Daqui a pouco amanhecerá o dia. To de saco cheio de ontem e, como ainda não dormi - nem vou -, de hoje também. Este texto não tem pretensão de se fazer claro, explicativo, cristalino ou mesmo de ser esteticamente bem escrito. Isso não quer, entretanto, dizer que seja nonsense, fique claro. Não é um daqueles trabalhos de faculdade que eu costumava (notem o tempo do verbo) colocar aqui, mas sim um trabalho de "pensamento/cognição/subsunção não-linear". É fácil dizer nada com palavras bem escolhidas (mais sobre isso à frente).
Estava eu na aula um dia, com o saco na lua, ouvindo um blá blá blá lacaniano quando pensei: "enquanto ficam discutindo o Ser, meu ser apodrece". Levantei e fui fumar. Não entreguei o trabalho no final do curso e me senti culpado à época. O conteúdo da matéria não fez e não fará falta na minha vida. Já os créditos... bem, estes deixaram meu diploma mais distante. Já já voltarei a esse ponto!
Depois de anos complexado por causa da droga da minha pele, depois de destruir o fígado tomando Roacutan, fui tirar os últimos cistos que restaram. Fiz uma cirurgia para tirar um mini-caroço e agora tenho um outro, maior: a cicatriz ficou ridícula. Já fodeu mesmo, não estou nem ai mais. Resta um no rosto. Quero ver no que vai dar. Vou tirar assim mesmo. Se foder, processo alguém. Meu DNA talvez, já que minha pele é uma droga. O ser estava literalmente apodrecendo naquela sala de aula e continua, ao que tudo indica. Não passamos de adubo. Adubo vaidoso este que vos escreve.
Mmmm... esqueci algo que ia escrever. Porcaria. Se não for eu lembrarei em seguida.
Depois de treze músicas (da nova fase, as eletrônicas) prontas, outras tantas em andamento e sem a MENOR vontade de gravar vocais - dão trabalho e sempre saem uma porcaria - resolvi começar. Não deu outra. Quase soquei o micro. Minha voz é ruim e o micro paga o pato. Também, haja saco pra ficar gravando n vezes a mesma coisa, entupindo de efeitos e não gostar do resultado. Chega num momento que a letra muda pq não quero mais repetir a mesma coisa.
Quando eu fazia black metal, gravava de primeira, se saisse errado ficava... e dava certo (mesmo quando errava). Quando ouvi minha primeira demo BM, pensei: "eu compraria isso". E compraria até hoje. Gostei da tralha, palavra. Só não gostei de quem gostou. E de quem não gostou também.
E já que falei em letra, quero escrever sobre outro ponto importante. Eu me prometi que não escreveria mais letras, mas escrevi. Tava de saco cheio por alguns motivos: ninguém lê e quem lê não saca do que estou falando, acho. Não tenho saco nem estômago pra escrever sobre situação global, tsunami e outras coisas que não dizem respeito a meu indivíduo. Não, não dizem. Esse papo de que diz é chatice de "socialistas" (deveria encher de aspas, eles merecem muitas) de hippongo metido a besta de C.A. de faculdade. Então, voltando: resta escrever sobre coisas MINHAS, que se passam NA MINHA CABEÇA, que ME INTERESSAM. Se ME interessam suponho que não interessem a ninguém mais, assim como o tsunami e situação global não me interessam, sacaram? Vou guardar as letras que escrevi (poesia de "adolescente" de 30 anos. tsk tsk) e continuar sem vocais. É isso.
Após a evolução (me falaram isso!), fico apanhando. Haja saco. Os dois pontos fundamentais são os seguintes: o povo gosta de ouvir voz em música. Óbvio, por isso existem tantos intérpretes que não compõe merda nenhuma, mas o HILTON não faz questão. Dependendo do humor, posso ouvir até 30 minutos de martelo batendo em barra de ferro. Convenhamos: o som é legal.
Resolvido: não vou gravar mais vocal. Quem quiser voz nas tosqueiras que fiz, fale comigo, grave a trilha e eu mixo (se gostar da voz, lógico! Se reconheço que MINHA voz é ruim, tb reconheço a dos demais). De acordo?
De novo... falei das músicas e esqueci outra coisa.
Ah! Então o negócio é exatamente esse: se eu for me preocupar com o que vão pensar, com o que esperam de mim, não farei mais nada. Vou fazer minhas coisas. Não quero saber se a pilha de livros da minha estante (prateleiras na parede, pra ser mais correto) foi digerida ou não. É bullshit. Tem muito de ocultismo lá. Grande lixo: mal conseguimos definir o que vemos e queremos definir o que não se vê. Puta arrogância. Tem muita filosofia também, claro, já que é o curso que faço e espero o diploma (ah, era isso que eu havia esquecido antes, mas já não vou mais falar disso, passou). Grande bosta também! Aprendi mais sobre Filosofia lendo Bukowski do que discutindo o tão tímido, escondido e calado "Ser", do que lendo arrogantes megalômanos que escrevem de prefácios ininteligíveis (você mesmo, M-P) a livros gigantes cheios de nada. Minha média ponderada caiu de 8,3 pra 7,1 e tende a piorar.
Quase 5h00. O dia tá pra amanhecer. Já disse isso no começo do texto. Estou ficando repetitivo e continuo sem sono. Daqui a pouco vou trabalhar. Vou tentar bater meu recorde sem dormir.
Leu até aqui? Não tinha nada melhor pra fazer, não?
Um brinde a Bukowski.